Este blog foi criado com o objetivo de apresentar as aprendizagens dos
alunos de diferentes disciplinas na área da Educação Especial. Aqui podem ser
encontrados os registros feitos por alunos atendidos na Sala de Recursos
Multifuncional, mas poderão ser postados músicas, vídeos, eventos e outros
ligados ao cotidiano escolar e relacionado à Educação Especial e Inclusiva.
Teremos
também espaço para publicar textos e curiosidades sobre as doenças bem como
disponibilizar dicas de leitura , sugestão de vídeos e links para sites
que tratem de assuntos sobre educação Especial e Inclusiva
O desafio da inclusão em sala de aula
Imagine
uma sala de aula com 20 alunos, sendo três deles com déficit de atenção, dois
com problemas de processamento auditivo e um com transtorno opositor
desafiador. Os casos de inclusão aumentam a cada dia, assim como surgem novas
síndromes com as quais a sociedade precisa aprender a lidar. Neste contexto,
como o professor explica para um público tão complexo e diverso um conteúdo de
fração, por exemplo? Como fazer os alunos terem um pensamento e um
comportamento uniforme? Este é um dos maiores desafios que as escolas regulares
enfrentam hoje, pois incluir socialmente é diferente de incluir pedagogicamente.
Quando
se fala em educação inclusiva devemos refletir sobre como a escola pode incluir
estes alunos dentro das suas regras de convivência. Acredito que o aluno de
inclusão precisa receber um atendimento individualizado com o acompanhamento de
especialistas que sabem como fazer, o que fazer e quando fazer. A inclusão é
muito mais do que receber este aluno na escola regular e integrá-lo em sala de
aula com os colegas. É acompanhar o seu desenvolvimento e certificar-se de que
este estudante está absorvendo o conteúdo e que a escola está contribuindo para
o seu crescimento, não apenas na aprendizagem, mas também o preparando para a
vida.
À
escola cabe definir o seu papel e suas possibilidades perante as inclusões
estabelecendo quais são suas condições em relação à forma de ensinar e atender
cada criança. É bastante interessante ver como a Europa trabalha a inclusão em
sala de aula. Existem desde salas apenas para autistas até salas de contenção
todas revestidas de espuma para a criança que sai da linha central e começa a
se debater.
Aos professores
cabe fazer a diferença e aprender a lidar com estas novas situações. Hoje vemos
professores adoecendo emocionalmente e fisicamente por conta destes conflitos.
São profissionais que terminam um curso superior sem noção de como lidar com a
inclusão, pois viveram isso somente na teoria. De qualquer maneira, o professor
estudou para cuidar de todos de forma igual, educar a todos pedagogicamente com
qualidade, então, humanamente ele não tem como aguentar e suportar tantos casos
específicos, alguns deles que geram até agressões. Faz-se necessária a
ajuda externa de especialistas que mediquem e atendam individualmente a criança
de inclusão, para que assim a educação possa ser feita de verdade para todos e
com todos. Para vencer estas barreiras precisamos envolver a criança, a escola,
o professor e, principalmente, a família, pois em muitas situações, a família
não suporta as dificuldades, mas o professor precisa fazer a diferença.
Acredito que
cada criança é incluída de alguma maneira, ou por ser mais inteligente, ou
menos capaz em alguma habilidade, ou por ser impulsiva, arrogante, ou cínica.
Todos são incluídos e a sociedade deve ter esta ciência e perceber o que cada
um é capaz de fazer por si e pelo outro. Às famílias com casos de inclusão cabe
um diálogo franco e aberto, além de uma parceria com a escola, pois vale
lembrar que o contrato pode ser rescindido com a escola, mas com o filho é para
a vida toda.
Esther
Cristina Pereira – psicopedagoga com MBA em Gestão pela PUCPR e diretora da
Escola Atuação, em Curitiba.
