sábado, 31 de janeiro de 2015

O desafio da inclusão em sala de aula

Este blog foi criado com o objetivo de apresentar as aprendizagens dos alunos de diferentes disciplinas na área da Educação Especial. Aqui podem ser encontrados os registros feitos por alunos atendidos na Sala de Recursos Multifuncional, mas poderão ser postados músicas, vídeos, eventos e outros ligados ao cotidiano escolar e relacionado à Educação Especial e Inclusiva.
Teremos também espaço para publicar textos e curiosidades sobre  as doenças bem  como  disponibilizar dicas de leitura , sugestão de vídeos e links para sites que tratem de assuntos sobre educação Especial e Inclusiva

O desafio da inclusão em sala de aula

Imagine uma sala de aula com 20 alunos, sendo três deles com déficit de atenção, dois com problemas de processamento auditivo e um com transtorno opositor desafiador. Os casos de inclusão aumentam a cada dia, assim como surgem novas síndromes com as quais a sociedade precisa aprender a lidar. Neste contexto, como o professor explica para um público tão complexo e diverso um conteúdo de fração, por exemplo? Como fazer os alunos terem um pensamento e um comportamento uniforme? Este é um dos maiores desafios que as escolas regulares enfrentam hoje, pois incluir socialmente é diferente de incluir pedagogicamente. 
Quando se fala em educação inclusiva devemos refletir sobre como a escola pode incluir estes alunos dentro das suas regras de convivência. Acredito que o aluno de inclusão precisa receber um atendimento individualizado com o acompanhamento de especialistas que sabem como fazer, o que fazer e quando fazer. A inclusão é muito mais do que receber este aluno na escola regular e integrá-lo em sala de aula com os colegas. É acompanhar o seu desenvolvimento e certificar-se de que este estudante está absorvendo o conteúdo e que a escola está contribuindo para o seu crescimento, não apenas na aprendizagem, mas também o preparando para a vida.
À escola cabe definir o seu papel e suas possibilidades perante as inclusões estabelecendo quais são suas condições em relação à forma de ensinar e atender cada criança. É bastante interessante ver como a Europa trabalha a inclusão em sala de aula. Existem desde salas apenas para autistas até salas de contenção todas revestidas de espuma para a criança que sai da linha central e começa a se debater.
Aos professores cabe fazer a diferença e aprender a lidar com estas novas situações. Hoje vemos professores adoecendo emocionalmente e fisicamente por conta destes conflitos. São profissionais que terminam um curso superior sem noção de como lidar com a inclusão, pois viveram isso somente na teoria. De qualquer maneira, o professor estudou para cuidar de todos de forma igual, educar a todos pedagogicamente com qualidade, então, humanamente ele não tem como aguentar e suportar tantos casos específicos, alguns deles que geram até agressões.  Faz-se necessária a ajuda externa de especialistas que mediquem e atendam individualmente a criança de inclusão, para que assim a educação possa ser feita de verdade para todos e com todos. Para vencer estas barreiras precisamos envolver a criança, a escola, o professor e, principalmente, a família, pois em muitas situações, a família não suporta as dificuldades, mas o professor precisa fazer a diferença. 
Acredito que cada criança é incluída de alguma maneira, ou por ser mais inteligente, ou menos capaz em alguma habilidade, ou por ser impulsiva, arrogante, ou cínica. Todos são incluídos e a sociedade deve ter esta ciência e perceber o que cada um é capaz de fazer por si e pelo outro. Às famílias com casos de inclusão cabe um diálogo franco e aberto, além de uma parceria com a escola, pois vale lembrar que o contrato pode ser rescindido com a escola, mas com o filho é para a vida toda. 
Esther Cristina Pereira – psicopedagoga com MBA em Gestão pela PUCPR e diretora da Escola Atuação, em Curitiba.

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